A retinopatia da prematuridade (ROP) é uma alteração no desenvolvimento dos vasos da Retina em bebês nascidos prematuros. Na maior parte dos casos ela regride espontaneamente, mas em uma parcela dos bebês evolui e pode levar ao descolamento de retina. Como não há sinal externo visível, o diagnóstico depende inteiramente da triagem oftalmológica feita dentro da janela de tempo adequada.

O que é a ROP

Os vasos da Retina completam sua formação nas últimas semanas de gestação. No nascimento prematuro, esse processo é interrompido e passa a ocorrer fora do útero, sob condições diferentes, incluindo a exposição ao oxigênio suplementar necessário nos cuidados neonatais.

Nesse cenário, os vasos podem crescer de forma anormal, com formação de tecido fibrovascular que traciona a Retina. É esse crescimento anormal que caracteriza a retinopatia da prematuridade.

Quais bebês precisam ser examinados

A triagem é indicada conforme as diretrizes brasileiras de rastreamento da ROP:

  • Recém-nascidos com idade gestacional inferior a 32 semanas.
  • Recém-nascidos com peso de nascimento igual ou inferior a 1.500 g.
  • Prematuros com peso ou idade gestacional maiores, quando houver fatores de risco associados, a critério da equipe neonatal, considerando fatores como uso prolongado de oxigênio, sepse, transfusões e instabilidade clínica.

Quando fazer o primeiro exame

O primeiro exame é realizado entre a quarta e a sexta semana de vida, ou entre 31 e 33 semanas de idade gestacional corrigida, conforme o protocolo do serviço e a avaliação da equipe.

Os exames seguintes são agendados de acordo com os achados: a cada uma a duas semanas nas retinas ainda imaturas, e em intervalos menores quando há sinais de progressão. A definição de quando repetir faz parte do resultado do exame.

Como o exame é feito

  1. I
    Colírio para dilatar a pupila
    Aplicado na unidade neonatal, em doses adequadas ao recém-nascido, conforme protocolo.
  2. II
    Posicionamento e conforto
    O exame é realizado com o bebê acomodado, com monitorização e apoio da equipe de enfermagem.
  3. III
    Exame da retina
    Com lentes específicas e um afastador pediátrico, a Retina é avaliada até a periferia, incluindo a extensão da vascularização.
  4. IV
    Registro e conduta
    Estágio, zona e extensão são descritos, e o retorno ou o tratamento é definido a partir desses achados.

O exame causa desconforto transitório ao bebê e é conduzido no menor tempo possível, sempre com a equipe neonatal presente.

Estágios e evolução

A ROP é classificada por estágio (a gravidade da alteração vascular), zona (o quanto da Retina está vascularizada) e extensão, além da presença de sinais de atividade. Essa classificação é o que define a conduta.

  • Formas leves: a maioria regride espontaneamente com o amadurecimento da Retina, exigindo apenas acompanhamento.
  • Formas com indicação de tratamento: quando os achados atingem critérios definidos, o tratamento é indicado em prazo curto.
  • Formas avançadas: tração e descolamento de retina, com abordagem cirúrgica.

Quais os tratamentos

  • Fotocoagulação a laser: tratamento consolidado, aplicado na Retina periférica avascular.
  • Injeção intravítrea de antiangiogênico: indicada em casos selecionados, conforme a zona e o estágio, com necessidade de acompanhamento prolongado.
  • Cirurgia vitreorretiniana: reservada aos casos com tração ou descolamento.

A escolha considera a classificação do quadro, as condições clínicas do bebê e a estrutura do serviço.

O acompanhamento depois da alta

Bebês prematuros seguem em acompanhamento oftalmológico mesmo quando a ROP regride, porque a prematuridade se associa a maior chance de erros refrativos elevados, estrabismo e ambliopia ao longo da infância.

  • Guarde os relatórios de todos os exames feitos na unidade neonatal.
  • Não deixe de comparecer aos retornos, mesmo com o bebê bem.
  • Nos casos tratados com antiangiogênico, o acompanhamento se estende por mais tempo.

Onde realizar a avaliação no Recife

Atendo no HOPE, Hospital de Olhos de Pernambuco, Unidade Ilha do Leite, com estrutura para consulta, exames de imagem da Retina e procedimentos.

Perguntas frequentes

O exame de retina machuca o bebê?
O exame causa desconforto transitório, semelhante ao de outros procedimentos neonatais. É feito com o apoio da equipe, no menor tempo possível, e o bebê é acalmado em seguida.
Se a ROP regrediu, o bebê está livre de problemas de visão?
A regressão da ROP é uma boa notícia, mas a prematuridade em si aumenta o risco de grau elevado, estrabismo e ambliopia. O acompanhamento na infância permanece indicado.
Meu bebê nasceu com 34 semanas. Precisa do exame?
Acima dos critérios de peso e idade gestacional, a indicação depende dos fatores de risco e da avaliação da equipe neonatal. Vale conversar sobre o caso.
O que acontece se o exame for feito tarde?
A janela de tratamento da ROP é curta. Exames feitos fora do prazo podem encontrar a doença em estágio mais avançado, com menos opções e pior prognóstico visual.

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Sobre a Dra. Bárbara Oliveira

Médica oftalmologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, com especialização em Oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e subespecialização em Retina Clínica e Vítreo. Atende no HOPE, Unidade Ilha do Leite, em Recife.

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Autoria Autora: Dra. Bárbara Oliveira · Médica oftalmologista · CRM/PE 18815 · RQE 5228 · Atuação em Retina Clínica e Vítreo

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui a consulta médica. O diagnóstico, a indicação de exames e a conduta dependem da avaliação individual de cada paciente.